A Reforma Tributária já começou. Mas é em 2027 que os supermercados devem sentir, de forma mais prática, os impactos da nova lógica tributária no preço, no consumo e na operação.
A partir desse período, a CBS entra em vigor, substituindo PIS e COFINS, enquanto o novo modelo baseado em IVA dual começa a alterar a dinâmica de formação de preços, aproveitamento de créditos e gestão fiscal das empresas.
Para o varejo alimentar, isso representa uma reconfiguração operacional.
A formação de preços muda de lógica
Durante anos, supermercados operaram dentro de um modelo tributário marcado por cumulatividade, diferentes regras estaduais e baixa previsibilidade fiscal.
Com a Reforma, a tendência é que a tributação se torne mais transparente, alterando a forma como os preços são construídos.
O cálculo “por dentro” começa a dar espaço para uma estrutura “por fora”, tornando os tributos mais visíveis ao longo da cadeia.
Na prática, isso significa que:
- Margens precisarão ser recalculadas,
- Estratégias comerciais poderão ser revistas,
- Promoções e precificação exigirão mais controle sobre dados tributários,
- Decisões operacionais terão impacto ainda mais direto no resultado financeiro.
O preço deixa de ser apenas comercial e passa a ser também estrutural.
O consumo também tende a mudar
Com impostos mais transparentes ao consumidor, o comportamento de compra pode sofrer alterações importantes.
Produtos com redução de carga tributária podem ganhar competitividade.
Outros, sujeitos ao Imposto Seletivo ou sem benefícios fiscais, podem pressionar consumo, margem e posicionamento de mercado.
Além disso, a nova configuração da cesta básica nacional e os mecanismos de cashback previstos pela Reforma devem alterar o equilíbrio entre preço, percepção de valor e competitividade dentro do varejo alimentar.
Isso exige um supermercadista cada vez mais orientado por:
- Inteligência tributária,
- Previsibilidade operacional,
- Controle sobre cadastro e classificação fiscal,
- Gestão integrada entre fiscal, pricing e operação.
O desafio não será apenas fiscal
Muitos supermercados ainda enxergam a Reforma Tributária como uma pauta exclusivamente tributária.
Mas, em 2027, ela começa a impactar diretamente:
- Formação de preços,
- Margem,
- Fluxo de caixa,
- Competitividade,
- Tomada de decisão.
A não cumulatividade ampliada pode abrir oportunidades relevantes de crédito tributário, mas também exigirá muito mais controle sobre informações, documentos e parametrizações fiscais.
Em outras palavras, não basta ter sistema, será necessário ter estrutura.
2027 será o início de uma nova lógica operacional
A Reforma Tributária muda a forma como supermercados operam, calculam, decidem e sustentam crescimento.
E, para o varejo alimentar, o maior risco pode não estar na mudança em si – mas na falta de preparação para lidar com ela.
Quem chegar em 2027 apenas “adaptando a base fiscal” provavelmente reagirá sob pressão.
Quem começar agora a estruturar dados, revisar processos e integrar tecnologia à gestão tributária terá mais previsibilidade para proteger margem, caixa e operação em um cenário muito mais dinâmico.